Em uma frase: escritórios de advocacia podem ganhar velocidade ao formalizar documentos eletronicamente, desde que diferenciem contratos privados, procurações e termos internos das regras específicas de peticionamento e assinatura exigidas pelo Judiciário.

Onde a assinatura consome tempo no escritório?

O trabalho jurídico é altamente especializado, mas parte da operação que o cerca é repetitiva.

Antes de iniciar um novo caso, a equipe pode precisar:

  • enviar contrato de honorários;
  • coletar assinatura do cliente;
  • obter procuração;
  • formalizar autorização ou declaração;
  • acompanhar documentos pendentes;
  • reenviar arquivos corrigidos;
  • guardar tudo no dossiê correto.

Quando isso acontece por e-mail, mensagens e PDFs soltos, o advogado passa a administrar versões em vez de administrar o caso.

A assinatura eletrônica ajuda justamente a transformar essa formalização em um fluxo acompanhável.

Quais documentos do escritório podem ser assinados eletronicamente?

Não existe uma lista universal que dispense análise do ato, mas vários documentos privados da rotina do escritório podem admitir formalização eletrônica quando não houver forma específica incompatível.

Exemplos comuns incluem:

  • contratos de honorários;
  • aditivos contratuais;
  • termos de confidencialidade;
  • autorizações;
  • termos de ciência;
  • acordos extrajudiciais;
  • contratos com fornecedores e parceiros;
  • documentos internos do escritório.

Procurações também podem existir em formato eletrônico, mas o ponto decisivo é onde e para qual finalidade elas serão utilizadas.

Procuração eletrônica exige mais cuidado do que um contrato interno

A procuração é o instrumento pelo qual alguém confere poderes a outra pessoa.

No contexto da advocacia, ela se conecta diretamente à representação do cliente e pode ser destinada a órgãos e sistemas com requisitos próprios.

Por isso, o escritório não deve partir da premissa de que qualquer mecanismo de assinatura será aceito em qualquer tribunal, órgão ou plataforma.

O correto é verificar:

  • a finalidade da procuração;
  • o órgão ou sistema que receberá o documento;
  • a regra do tribunal ou procedimento;
  • o tipo de assinatura exigido naquele ambiente;
  • eventuais mecanismos próprios de validação.

Plataforma de assinatura e PJe cumprem papéis diferentes

Uma plataforma de assinatura pode formalizar documentos privados e organizar evidências do relacionamento com o cliente.

Já o Processo Judicial Eletrônico possui regras próprias para acesso, prática de atos e assinatura no sistema.

O CNJ mantém requisitos específicos de certificação e assinatura digital no PJe. Portanto, uma ferramenta privada de assinatura não substitui automaticamente a credencial ou o procedimento exigido pelo sistema judicial.

Isso evita uma confusão importante: um contrato de honorários assinado eletronicamente e uma petição protocolada no PJe pertencem a fluxos jurídicos e tecnológicos diferentes.

Assinatura eletrônica e assinatura digital: qual a diferença?

Assinatura eletrônica é o conceito amplo.

A Lei nº 14.063/2020 trabalha com as categorias simples, avançada e qualificada em seu âmbito de aplicação.

A assinatura qualificada utiliza certificado digital ICP-Brasil.

Já uma assinatura avançada depende de requisitos que permitam vincular a assinatura ao signatário e detectar alterações posteriores, entre outros critérios legais.

Mecanismos como e-mail, telefone, selfie ou face match podem compor uma jornada de autenticação, mas não definem sozinhos a classificação jurídica da assinatura.

Veja O que é assinatura eletrônica? Como funciona e quando usar.

Contrato de honorários: o que muda no digital?

O principal ganho não é trocar caneta por uma tela.

É organizar a jornada inteira.

Versão final controlada

O cliente recebe exatamente o documento que o escritório decidiu formalizar.

Participantes definidos

O sistema registra quem precisa assinar e quem ainda está pendente.

Evidências associadas ao documento

Data, hora, método de autenticação e outros eventos do fluxo podem permanecer vinculados ao processo de assinatura.

Arquivo concluído centralizado

O contrato deixa de ficar perdido em uma conversa de e-mail ou pasta pessoal de um colaborador.

E se o contrato precisar ser executado judicialmente?

Esse ponto merece atenção especial.

O Código de Processo Civil lista títulos executivos extrajudiciais e, desde a Lei nº 14.620/2023, prevê no § 4º do art. 784 que títulos constituídos ou atestados eletronicamente podem utilizar modalidade de assinatura eletrônica prevista em lei e dispensar testemunhas quando a integridade for conferida por provedor de assinatura.

Isso não significa que todo PDF assinado eletronicamente se transforma automaticamente em título executivo.

A obrigação e o documento precisam preencher os requisitos jurídicos aplicáveis ao caso.

A vantagem é que a legislação passou a tratar de forma expressa a formação eletrônica desses títulos.

A trilha de auditoria ajuda, mas não cria prova absoluta

Um bom processo de assinatura registra elementos que ajudam a reconstruir o evento.

Podem fazer parte da trilha:

  • data e hora;
  • endereço IP;
  • e-mail ou telefone utilizado;
  • método de autenticação;
  • sequência de assinaturas;
  • histórico de visualização disponível;
  • integridade do documento final.

Esses elementos podem fortalecer a capacidade de demonstrar o processo.

Eles não tornam o documento “inquestionável”, nem substituem a análise judicial de uma eventual controvérsia.

Segurança na advocacia vai além da assinatura

Escritórios tratam informações potencialmente sensíveis e estratégicas.

Por isso, uma operação digital precisa pensar também em:

  • controle de acesso;
  • autenticação dos usuários internos;
  • permissões por equipe ou caso;
  • armazenamento seguro;
  • política de retenção;
  • compartilhamento de documentos;
  • proteção de dados pessoais;
  • registro de atividades relevantes.

A LGPD também se aplica ao tratamento de dados realizado pelo escritório conforme o contexto e a base legal correspondente.

Assinatura é uma camada do processo, não toda a estratégia de segurança.

Quando usar certificado digital ICP-Brasil?

O certificado pode ser necessário quando:

  • o sistema judicial ou órgão destinatário exigir;
  • a legislação do ato estabelecer assinatura qualificada;
  • a política do cliente ou do escritório exigir esse nível;
  • o risco da operação justificar uma modalidade mais robusta.

No dia a dia de contratos privados, a resposta pode ser diferente.

A própria MP nº 2.200-2 reconhece outros meios de comprovação de autoria e integridade nas condições previstas em seu art. 10, § 2º.

Leia ICP-Brasil: o que é, como funciona e quando você realmente precisa.

Como organizar o fluxo do escritório

1. Classifique os documentos recorrentes

Separe contratos, procurações, termos internos, documentos destinados a órgãos e documentos que serão protocolados em sistemas judiciais.

2. Defina o nível de formalização por tipo

Evite usar uma regra única para tudo.

3. Padronize modelos

Quanto menos versões paralelas existirem, menor o risco de assinar um documento desatualizado.

4. Centralize o acompanhamento

A equipe deve conseguir identificar rapidamente quem já assinou e o que ainda depende do cliente.

5. Organize o documento final no dossiê correto

Formalizar e depois não localizar o contrato elimina parte do ganho da digitalização.

Onde a Rubrica entra?

A Rubrica ajuda o escritório a enviar documentos para assinatura, acompanhar pendências e manter o histórico do processo ligado ao arquivo concluído.

Para contratos de honorários, termos, autorizações e outros documentos privados, isso reduz tarefas operacionais sem exigir que o advogado abandone os requisitos próprios de tribunais e órgãos públicos.

Quando o contexto exigir certificado digital, o fluxo pode usar a modalidade compatível com essa necessidade.

Conheça os recursos da plataforma e veja Qual nível de segurança usar na assinatura de cada documento?.

Tecnologia boa para advocacia é a que reduz operação sem simplificar demais o Direito

O objetivo não deveria ser “digitalizar tudo a qualquer custo”.

Deveria ser retirar do caminho tarefas que não precisam consumir tempo jurídico — envio, cobrança, controle de versão e arquivamento — mantendo atenção às formalidades que realmente importam.

Essa diferença permite ganhar velocidade sem prometer que todo documento jurídico segue a mesma regra.

Fontes oficiais